Salvador, 8 de outubro de 2026 — Há livros que chegam às mãos. Outros chegam ao coração. E há aqueles que nascem para abrir caminhos, despertar perguntas e transformar o modo como enxergamos o mundo.
Foi com esse espírito que o Instituto Helenas Não Se Calarão (IHNSC) realizou, em 7 de outubro, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, nos Barris, o lançamento do livro infantil Pequenos Guardiões da Ancestralidade – Sementes da Árvore Sagrada, de autoria da jornalista e escritora Eunice Espinola, com edição da Stella Brasil Edições.
Mais do que uma celebração literária, o encontro representou um chamado à valorização das bibliotecas, da infância, da memória ancestral e da Cultura do Respeito.
A mensagem que atravessou o lançamento foi simples e poderosa:
LUGAR DE CRIANÇA É NA BIBLIOTECA!
Quando a história ganha voz, a infância ganha asas
Um dos momentos mais significativos da programação foi a contação de histórias conduzida por Selma Santiago e Maria José Matos.
Com sensibilidade e envolvimento, as narradoras deram vida ao universo dos Pequenos Guardiões, aproximando o público de uma narrativa que convida crianças e adultos a reconhecerem suas raízes, respeitarem as diferenças e compreenderem que cada pessoa carrega uma semente capaz de transformar o mundo.
A literatura deixou de ser apenas palavra impressa. Tornou-se encontro, escuta, emoção e possibilidade.
Porque uma história contada com afeto não termina quando a voz silencia. Ela continua dentro de quem a ouviu.
O momento mágico: quando os personagens conquistaram o público
Houve um instante em que a magia da literatura pareceu ultrapassar as páginas do livro.
Foi durante a apresentação dos personagens de Pequenos Guardiões da Ancestralidade, quando o público foi convidado a conhecer suas identidades, seus valores e as sementes simbólicas que cada um representa.
Não se tratava apenas de apresentar figuras de uma história infantil. Era uma experiência de aproximação com sentimentos, diferenças, memórias e ensinamentos que fazem parte da formação humana.
A apresentação despertou uma reação especialmente significativa de Monique Reis, representante da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI).
Sensibilizada pela experiência, Monique destacou que nunca havia presenciado, em lançamentos de livros dos quais participou, uma apresentação dos personagens daquela maneira.
A observação conferiu ainda mais significado ao momento.
Ali, o público não estava apenas conhecendo uma obra. Estava sendo convidado a entrar nela.
Os Pequenos Guardiões deixaram de ser somente personagens ilustrados para se tornarem símbolos de pertencimento, ancestralidade, diversidade, respeito e esperança.
Naquele momento, cada personagem apresentou sua semente. E cada pessoa presente foi convidada a descobrir a sua.
Heraldo Gonçalves: a sensibilidade de conduzir uma história coletiva
O cerimonial esteve sob a responsabilidade do jornalista, radialista e secretário-geral do IHNSC, Heraldo Gonçalves.
Sua participação foi fundamental para estabelecer uma conexão entre os diferentes momentos da programação, preservando a sensibilidade, a organização e o significado da celebração.
Mais do que apresentar convidados ou anunciar atividades, Heraldo conduziu uma narrativa coletiva, aproximando instituições, educadores, famílias e participantes do verdadeiro propósito do encontro.
Sua condução reforçou a mensagem de que a educação pode transformar realidades quando encontra espaço para o diálogo e o respeito.
Vozes que fortalecem o presente e inspiram o futuro
A participação de Tamikuã Pataxó, Ouvidora-Geral do Estado da Bahia, trouxe ao encontro uma contribuição marcada pela importância da escuta, da ancestralidade e do reconhecimento dos povos originários como parte viva da nossa história.
Sua fala fortaleceu a proposta de uma literatura que valoriza identidades, memórias e o direito de cada criança reconhecer suas origens com dignidade.
Outro momento especial foi a participação da Embaixadora Mirim do IHNSC, Rillary Castro Oliveira.
Sua presença e sua voz simbolizaram aquilo que o projeto deseja cultivar: crianças e adolescentes que não sejam apenas espectadores das transformações sociais, mas participantes de uma cultura construída sobre respeito, consciência e pertencimento.
A infância não é somente o futuro. Ela tem voz, sentimentos e lugar no presente.
Eunice Espinola e a coragem de lançar um livro que não será vendido
À frente desse encontro esteve Eunice Espinola, presidente fundadora do Instituto Helenas Não Se Calarão e autora da obra.
Sua fala apresentou a essência de uma escolha que desperta curiosidade:
Por que lançar um livro infantil que não estará à venda?
Porque o objetivo não é transformar a história em mercadoria, mas fazer dela um caminho para as bibliotecas.
A proposta é que crianças e famílias procurem os Pequenos Guardiões nos espaços de leitura e, ao encontrá-los, descubram também outros autores, outros mundos e centenas de histórias esperando para ser lidas.
É um convite para devolver à biblioteca seu lugar de encontro, descoberta, convivência e formação cidadã.
A obra também amplia a missão do IHNSC, que atua na prevenção à violência doméstica e familiar por meio da educação, do diálogo e da conscientização.
Prevenir a violência é também ensinar o respeito antes que a violência aconteça.
E esse aprendizado pode começar com uma história, uma pergunta, uma criança e um livro aberto.
Uma lembrança para plantar: quando a literatura se transforma em vida
Entre os gestos simbólicos que marcaram o lançamento, um deles trouxe uma mensagem especialmente delicada e significativa.
Os presentes receberam um card ilustrado, produzido em papel-semente de tomate, convidando cada participante a levar para casa não apenas uma lembrança do encontro, mas uma experiência de cuidado, paciência e transformação.
A iniciativa reforçou também a mensagem central do projeto: os livros não serão comercializados. Estarão disponíveis nas bibliotecas, onde poderão ser descobertos por crianças, famílias e educadores.
O pequeno cartão representou, assim, um convite duplo: plantar uma semente na terra e cultivar o hábito da leitura.
Ao apresentar essa proposta, a autora Eunice Espinola resumiu, em uma frase, a essência da experiência:
“Plante tomate e descubra qual semente você é!”
Mais do que uma lembrança, o papel-semente tornou-se uma extensão simbólica da própria obra.
Porque, assim como uma semente precisa de terra, água, luz e cuidado para germinar, o respeito, a ancestralidade, a empatia e o conhecimento também precisam ser cultivados.
O livro pode terminar na última página, mas aquilo que ele planta em nós pode continuar florescendo por toda a vida.
O encantamento de Marcos Viana: quando a beleza de um livro desperta novos leitores
Entre as manifestações que marcaram o lançamento, ganhou especial significado a fala de Marcos Viana, diretor da Biblioteca Central do Estado da Bahia – Barris.
Encantado com a qualidade editorial e a riqueza das ilustrações de Pequenos Guardiões da Ancestralidade – Sementes da Árvore Sagrada, o diretor destacou a importância da apresentação visual da obra como elemento capaz de despertar o interesse pela leitura.
Em sua avaliação, o cuidado com as ilustrações e a qualidade do livro constituem um atrativo não apenas para as crianças, mas também para os adultos, aproximando diferentes gerações do universo literário.
O reconhecimento ganhou significado especial por partir de quem convive diariamente com a missão de preservar, compartilhar e democratizar o acesso aos livros.
Sua manifestação fortaleceu a essência do projeto idealizado por Eunice Espinola: fazer da literatura infantil uma ponte entre crianças, famílias e bibliotecas.
Afinal, um livro que encanta os olhos pode despertar a curiosidade. E a curiosidade pode abrir as portas para uma vida inteira de leitura.
É esse o convite dos Pequenos Guardiões: venha viajar com sua família. O destino é a biblioteca!
Um projeto que encontrou instituições dispostas a fortalecê-lo
A produção da obra foi viabilizada por meio de projeto contemplado em edital da Veracel Celulose, iniciativa que tornou possível sua publicação e distribuição gratuita.
O Instituto Helenas Não Se Calarão registra seu agradecimento à Veracel Celulose, reconhecendo a importância do incentivo à literatura infantil e à ampliação do acesso à leitura.
À Fundação Pedro Calmon e à Biblioteca Central do Estado da Bahia – Barris, o Instituto expressa especial gratidão pela acolhida e pelo fortalecimento de um propósito comum: aproximar crianças, famílias e educadores dos livros e dos espaços públicos de leitura.
Durante o lançamento, a doação de 50 exemplares à Biblioteca Central simbolizou esse compromisso.
São livros destinados a circular, a passar de mão em mão e a encontrar muitas infâncias.
A presença de representantes da Defensoria Pública da Bahia, SEPROMI, AJEB-BA, AJEJURIDICO, Biblioteca Monteiro Lobato, Projeto Arte Geração e Casa de Umbanda Pai Oxalá e Mãe Yemonja, além de profissionais da Biblioteca Central, convidados e integrantes do IHNSC, conferiu ao encontro uma dimensão coletiva.
Cada presença representou mais do que prestígio institucional. Representou a possibilidade de ampliar diálogos, construir pontes e fortalecer a compreensão de que educação, cultura, diversidade e respeito são responsabilidades compartilhadas.
Venha viajar com sua família. O destino é a biblioteca!
Pequenos Guardiões da Ancestralidade – Sementes da Árvore Sagrada convida crianças e adultos a uma viagem pela memória, pela natureza, pelas diferenças e pelos valores que sustentam a convivência humana.
A Árvore Sagrada simboliza a ligação entre aquilo que fomos, aquilo que somos e o futuro que desejamos construir.
Suas sementes nos lembram que respeito, cuidado, empatia, pertencimento e esperança precisam ser cultivados todos os dias.
E a biblioteca é um dos lugares onde esse cultivo pode florescer.
Leve sua família à biblioteca. Apresente esse universo às crianças. Permita que elas escolham uma história, façam perguntas e descubram que ler também é uma forma de conhecer a si mesmas.
O lançamento terminou, mas a verdadeira viagem está apenas começando.
Do livro para a biblioteca.
Da biblioteca para a criança.
Da criança para a família.
E da família para uma sociedade que aprende a respeitar.
Porque toda criança é uma semente. Toda história pode transformar o futuro.
E, depois de tantas vozes, encontros e emoções, fica a pergunta que os Pequenos Guardiões desejam levar a cada leitor:
QUE SEMENTE VOCÊ É?
Realização: Instituto Helenas Não Se Calarão – IHNSC
Autoria: Eunice Espinola
Edição: Stella Brasil Edições
Projeto contemplado pelo Edital Veracel Celulose
Fotografia: Bruno Lustosa/ Ricardo Oliveira
Matéria: Eunice Espinola DRT BA 5569









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