Instituto Helenas Não Se Calarão defende que a inclusão do enfrentamento à violência contra a mulher no calendário oficial seja acompanhada por educação preventiva, articulação da rede e ações permanentes durante todo o ano.
A instituição, em Salvador, do Dia Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e à Discriminação de Gênero, celebrado em 25 de novembro, representa mais um instrumento para ampliar a conscientização da sociedade sobre uma realidade que não pode ser naturalizada.
Para o Instituto Helenas Não Se Calarão (IHNSC), entretanto, a força de uma data oficial está principalmente na capacidade de transformá-la em mobilização, educação e prevenção permanentes.
Há quatro anos, o Instituto desenvolve ações voltadas à promoção dos direitos humanos, à prevenção da violência e ao fortalecimento da cultura do respeito. Com atuação itinerante, realiza atividades em Salvador e também em municípios do interior, incluindo o Sul e o Extremo Sul da Bahia.
Palestras, workshops, rodas de conversa, cartilhas, campanhas educativas e ações de conscientização realizadas em escolas, bibliotecas, shoppings, espaços públicos e comunitários fazem parte dessa trajetória.
Prevenir é melhor que remediar
O posicionamento do IHNSC parte de uma premissa simples:
quando falamos de violência, prevenir significa educar para o respeito antes que seja necessário intervir.
As políticas de enfrentamento, proteção e responsabilização são indispensáveis. Mas é igualmente necessário atuar sobre comportamentos, relações, preconceitos e formas de discriminação que podem anteceder diferentes manifestações de violência.
Por isso, além da importância simbólica do 25 de novembro, o Instituto defende que a prevenção esteja presente durante os 365 dias do ano, envolvendo poder público, escolas, famílias, empresas, universidades, organizações sociais e comunidades.
Da experiência ao Programa Cultura do Respeito
As ações preventivas não representam uma nova área de atuação do IHNSC. Elas fazem parte de sua trajetória.
O que muda, neste novo momento, é a forma de organizá-las.
As atividades que anteriormente eram realizadas a partir de diferentes temáticas passam a ser reunidas sob o Programa Institucional Cultura do Respeito, dando unidade, continuidade e planejamento ao trabalho já desenvolvido.
Estruturado em encontros bimestrais, o programa pretende ampliar o diálogo com a rede de proteção, compartilhar boas práticas e aproximar sociedade civil, poder público, instituições de ensino, empresas, profissionais e comunidades.
A conquista do Selo Lilás também reforçou para o Instituto a responsabilidade de avançar nesse trabalho e buscar maior integração com as políticas e instituições responsáveis pela proteção das mulheres.
Uma responsabilidade coletiva
O IHNSC entende que nenhuma organização, isoladamente, conseguirá enfrentar um problema tão complexo quanto a violência contra as mulheres.
Por isso, coloca-se à disposição para somar às iniciativas do poder público, participar de ações educativas e contribuir, dentro de sua área de atuação, para fortalecer a prevenção e aproximar informação e rede de proteção da população.
Inspirado diariamente por sua patronesse, Helena Arminda de Carvalho, o Instituto reafirma que seu propósito não se limita a falar sobre a violência depois que ela acontece.
“Não queremos apenas combater a violência. Queremos ajudar a construir uma sociedade onde ela encontre cada vez menos espaço para nascer.”
A criação de uma data municipal é uma conquista. O desafio que se apresenta agora é fazer com que a conscientização gerada por ela ultrapasse o calendário e se transforme em comportamento, educação, políticas públicas e compromisso coletivo.
Para o Instituto Helenas Não Se Calarão, é aí que a verdadeira transformação começa:
o respeito precisa chegar antes da violência.
Instituto Helenas Não Se Calarão
É por respeito que lutaremos.
Eunice Espinola DRT BA 5569