A violência contra mulheres e meninas assume novas formas a cada avanço tecnológico. Hoje, ela não começa apenas dentro de casa ou nas ruas — muitas vezes nasce nas telas, nas redes sociais, nos aplicativos de mensagens e nos ambientes digitais. A chamada violência digital é uma realidade crescente e perigosa, que precisa ser reconhecida como parte do ciclo da violência de gênero.
Durante uma simples pergunta em sala — “levante a mão a mulher que nunca sofreu nenhum tipo de violência” — o silêncio costuma ser a resposta mais comum. Esse silêncio não é coincidência: ele reflete uma estatística cruel. Uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência ao longo da vida.

Os números reforçam a gravidade do cenário:
Quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia no Brasil;
Houve aumento de 316% nos casos de feminicídio na última década;
Uma em cada seis minutos menores de 14 anos sofre estupro, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar ou por pessoas conhecidas.
No ambiente digital, a violência se manifesta por meio de ameaças, perseguições, exposição de imagens íntimas, discursos de ódio, humilhações públicas e chantagens. Crimes virtuais que deixam marcas profundas e, não raramente, servem como gatilho para agressões físicas e até mortes.
Especialistas alertam que a desinformação é um fator determinante nesse ciclo. Muitas mulheres não reconhecem que estão sendo vítimas. Outras não sabem onde denunciar, como se proteger ou quais são seus direitos. A falta de informação, muitas vezes, custa vidas.
Além disso, a violência digital amplia o alcance do agressor. Ele não precisa mais estar fisicamente presente. Basta um celular, um perfil falso ou uma mensagem para controlar, intimidar e silenciar.
Diante desse cenário, a prevenção passa por dois pontos centrais:
O que expomos no ambiente digital — dados pessoais, imagens, rotinas e intimidade;
Com quem interagimos — pessoas, perfis e redes que podem representar risco.
Falar sobre violência digital é falar sobre proteção, educação e responsabilidade coletiva. É compreender que a internet não é um território sem lei e que a dignidade humana não pode ser violada, seja no mundo físico ou virtual.
Romper o silêncio é o primeiro passo. Informar, conscientizar e proteger é um dever social.
Jornalista: Eunice Espínola
Instituto Helenas Não Se Calarão
#ÉPorRespeitoQueLutaremos