A comunicação tem papel fundamental na construção de pontes entre histórias, territórios e pessoas. Nos quilombos, ela ultrapassa o ato de informar e se transforma em ferramenta de fortalecimento cultural, organização social e desenvolvimento coletivo. Quando aliada ao cooperativismo, passa a impulsionar iniciativas que geram renda, preservam saberes ancestrais e ampliam a visibilidade dos povos quilombolas.
Historicamente, as comunidades quilombolas enfrentam desafios relacionados ao reconhecimento, acesso a políticas públicas e inclusão econômica. Nesse cenário, o cooperativismo surge como alternativa baseada em valores que já fazem parte da vivência comunitária: solidariedade, partilha e trabalho coletivo. A comunicação, por sua vez, atua como elemento estratégico para divulgar produções locais, fortalecer identidades e ampliar o alcance das ações desenvolvidas nos territórios.
Mais do que promover produtos ou atividades, a comunicação dentro do cooperativismo quilombola permite que os próprios moradores sejam protagonistas de suas narrativas. Através da comunicação comunitária, rádios locais, redes sociais, registros audiovisuais e do jornalismo social, histórias antes invisibilizadas passam a ocupar espaços de reconhecimento e respeito.
Em diversas comunidades, iniciativas cooperativas têm fortalecido a agricultura familiar, o artesanato, a culinária tradicional e o turismo de base comunitária. A circulação de informação de forma acessível contribui para a organização interna, amplia oportunidades e fortalece a autoestima coletiva, mostrando que desenvolvimento também se constrói a partir da valorização cultural.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios importantes, como o acesso limitado a tecnologias, formação em comunicação e investimentos estruturais. O incentivo a políticas públicas voltadas à comunicação comunitária e ao cooperativismo quilombola é essencial para garantir a continuidade dessas iniciativas e ampliar seu impacto social.
O papel do jornalismo é fundamental nesse processo. Ao destacar experiências positivas e iniciativas transformadoras, a comunicação contribui para combater estigmas e construir novas narrativas sobre os territórios quilombolas. Dar visibilidade a essas ações é reconhecer a força histórica, cultural e social dessas comunidades.
A comunicação que transforma nasce do coletivo. Nos quilombos, ela informa, conecta e fortalece caminhos de futuro, reafirmando que o cooperativismo é mais do que uma estratégia econômica — é um instrumento de resistência, autonomia e transformação social.
Por: Heraldo Gonçalves
Jornalista DRT/BA 6799