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Porque toda mulher carrega, dentro de si, uma Lôba.
Capítulo inédito
Por Eunice Espínola
Publicado em 29/07/2026 01:56
MUNDO NEWS

A Lôba

Ela nunca precisou provar sua elegância.

Conhecida por seu estilo refinado, o effortless chic a define com naturalidade. Uma elegância que não se impõe. Apenas existe.

Naquela manhã, escolheu um vestido longo de alças finas em um sofisticado tom de verde-oliva. O tecido leve deslizava sobre o corpo com a delicadeza de quem conhece o próprio tempo. Era a tradução perfeita do quiet luxury: um luxo silencioso, construído pela qualidade, pela simplicidade e pelo bom gosto.

Nos pés, impecavelmente cuidados, sapatilhas brancas no clássico estilo Mary Jane acrescentavam ao visual um discreto romantismo, como se cada passo carregasse a memória de outra época.

Sua beleza jamais nasceu do excesso.

Nasceu da escolha.

Há rituais que permanecem intactos.

O perfume de jasmim anuncia sua chegada antes mesmo de sua presença.

O batom, ora carmim, ora nude, acompanha apenas o estado de sua alma.

As joias, em ouro amarelo, branco ou rosé, nunca foram adornos. São capítulos de sua história, pequenas memórias lapidadas pelo tempo. Ela as usa não para impressionar, mas para recordar quem é.

Os cabelos presos em um discreto rabo de cavalo revelam a serenidade de quem descobriu que a verdadeira sofisticação nunca precisou disputar olhares.

Sobre a mesa posta repousa uma taça de Château Giscours 2022, um Bordeaux francês escolhido mais pela experiência do que pelo prestígio.

Ao lado, o manuscrito aberto de Entre Silêncios e Escolhas, da escritora Eunice Espínola, repousa sobre a madeira. As rosas perfumam o ambiente. A vitrola preenche o silêncio com suas melodias preferidas. O recamier de veludo cor de vinho convida à pausa. O antigo tapete persa guarda histórias que ninguém conhece.

Ela aprecia uma boa exposição de arte.

Uma viagem inesperada.

Uma conversa inteligente.

E aprendeu que a própria companhia pode ser um dos lugares mais belos do mundo.

Ela conhece o valor do silêncio.

É nele que escuta a voz da mulher que se tornou.

Porque toda mulher carrega, dentro de si, uma Lôba.

Algumas ainda não a reconheceram.

Outras decidiram nunca mais escondê-la.

A Lôba voltou.

Mais serena.

Mais culta.

Mais intuitiva.

Mais livre.

Mais consciente de que a elegância não está nas roupas, nas joias ou no vinho.

Tudo isso apenas revela aquilo que já existia.

A verdadeira elegância nasce da inteligência.

Da sensibilidade.

Da cultura.

Da liberdade de fazer escolhas.

E, sobretudo, da coragem de permanecer fiel à própria essência.

Essa é a Lôba.

 

Escritora: Eunice Espinola 

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