MENU
SÃO JOÃO NO PELÔ: ENTRE O ENCANTO E O DESCASO
Por Eunice Espínola
Publicado em 22/06/2026 22:24 • Atualizado 22/06/2026 22:28
MUNDO NEWS

O São João no Pelourinho é, sem dúvida, um dos mais belos cartões-postais da cultura baiana. Em 2026, mais uma vez, o Centro Histórico de Salvador foi tomado pelas cores, sons e tradições que fazem desta festa uma das mais importantes manifestações populares do Brasil.

 

Foi movida por esse espírito que, na tarde de hoje, fui ao Pelourinho. As bandeirolas coloridas dançavam ao vento, a música ecoava pelas ladeiras de pedra, os comerciantes recebiam moradores e turistas com simpatia, respeito e alegria. Tudo parecia perfeito.

 

Mas havia um "mas".

 

E ele caiu sobre nós como uma verdadeira ducha de água fria.

 

O encanto das fachadas históricas disputava espaço com uma cena difícil de ignorar: o lixo espalhado pelas ruas. Não falo de um ou outro papel esquecido. Falo de muito lixo. Sacos, copos, embalagens e resíduos acumulados justamente no coração turístico da cidade.

O resultado foi imediato. O passeio que deveria durar horas tornou-se uma contagem regressiva para ir embora.

 

A sujeira não agride apenas a paisagem. Ela desrespeita os comerciantes que pagam seus impostos e trabalham para manter seus negócios funcionando. Desrespeita os moradores que amam sua cidade. Desrespeita os turistas que investem tempo e dinheiro para conhecer Salvador. E, acima de tudo, desrespeita a própria imagem da capital baiana.

 

Salvador é uma cidade extraordinária. O Pelourinho é patrimônio histórico, cultural e afetivo. Merece ser celebrado, preservado e cuidado.

 

Não basta organizar grandes shows, decorar ruas e atrair visitantes. É preciso garantir que a cidade esteja preparada para recebê-los com dignidade.

 

Quem visita o Pelourinho deveria voltar para casa levando na memória apenas a beleza de sua história, a força de sua cultura e a alegria de seu povo.

 

Infelizmente, hoje, junto com as lembranças das bandeirolas e do forró, levamos também a triste imagem do lixo espalhado pelas ruas.

 

E essa é uma lembrança que Salvador não merece deixar.

 

Quanto aos órgãos responsáveis, só me resta dizer: que vergonha!

 

Jornalista Eunice Espinola DRT:5569-BA

Fotografia/ jornalista: Heraldo Gonçalves DRT: 6799-BA

Comentários

Chat Online