A renovação antecipada de Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira reacende um debate que vai muito além do futebol: o Brasil, pentacampeão do mundo, deixou de formar treinadores capazes de comandar a própria Seleção?
A decisão da CBF demonstra confiança no trabalho do treinador italiano, que teve seu vínculo estendido até 2030. A entidade entende que a continuidade do projeto pode trazer estabilidade e aumentar as chances de conquistar o hexacampeonato.

Entretanto, a escolha também provoca questionamentos. O país que revelou nomes históricos como Zagallo, Telê Santana, Parreira, Felipão e outros parece admitir que não possui mais profissionais preparados para liderar a equipe mais vencedora da história das Copas do Mundo.
É verdade que o futebol mudou, tornou-se global e que Ancelotti é um dos técnicos mais vitoriosos da história. Mas também é legítimo perguntar: por que o Brasil deixou de investir na formação e valorização de treinadores nacionais?
A resposta talvez esteja menos na falta de talento e mais na ausência de um projeto consistente para desenvolver técnicos brasileiros, acompanhar novas metodologias e oferecer oportunidades em alto nível.
Se Ancelotti conquistar títulos, sua renovação será lembrada como uma decisão acertada. Porém, independentemente dos resultados, permanece uma reflexão necessária: o maior campeão do mundo não pode perder a capacidade de formar seus próprios líderes.
Jornalista:
Heraldo Gonçalves – DRT/BA 6799