MENU
Em Catu, mulheres transformam a palavra em poder
Por Eunice Espínola
Publicado em 27/03/2026 19:24
MUNDO NEWS

Catu, Bahia —

Na manhã desta sexta-feira, o Espaço Multicultural de Catu deixou de ser apenas um equipamento público para se tornar um território de escuta, tensão e afirmação. Ali, cerca de 150 pessoas se reuniram não apenas para assistir a um evento, mas para participar de um movimento: o encontro “Mulheres em Espaços de Poder”.

Organizado pelo Instituto Helenas Não Se Calarão em parceria com o Coletivo de Mulheres ( Hilmara,  Carla Sandra  e  Magnovanda) o evento propôs mais do que um debate — ofereceu um espelho. E nele, refletiram-se as contradições de um país onde mulheres ainda disputam, diariamente, o direito de ocupar lugares que historicamente lhes foram negados.

Ao longo da manhã, a programação se desenrolou como um mosaico de experiências. No centro, uma roda de conversa reuniu vozes distintas, porém atravessadas por um ponto comum: a vivência concreta do poder — e dos obstáculos para alcançá-lo.

Entre as participantes estavam a palestrante e mentora Zazá Souza, a coordenadora Leidiene Queiroz, a médica Bruna Vieira, a delegada-geral adjunta da Polícia Civil da Bahia, Márcia Pereira, a sindicalista Bete e a vereadora Juci Cardoso. A mediação, conduzida pela investigadora aposentada Carla Sandra Vieira, deu cadência a um diálogo que alternou entre o técnico e o visceral. 

A presença institucional também marcou o encontro. A secretária da Mulher de Catu, Marianna Araújo, trouxe uma fala objetiva, reforçando que políticas públicas para mulheres precisam ultrapassar o discurso e se materializar em ações concretas.

Ainda que o protagonismo feminino tenha sido o eixo central, a presença masculina também se fez notar com o vereador Neto Cachorrão, sinalizando a importância de aliados na construção de uma sociedade mais equitativa.

Mas foi na força das falas que o encontro ganhou temperatura.

“O empreendedorismo é uma chave real de libertação. Quando a mulher conquista sua autonomia financeira, ela rompe ciclos e redefine o próprio destino.”

Zazá Souza

“A história de Helena nos atravessa. Ela nos lembra que existem muitas mulheres invisíveis — e é por elas que precisamos levantar a voz todos os dias.”

Leidiene Queiroz

“Ser jovem não diminui minha responsabilidade. Pelo contrário: reforça meu compromisso com o empoderamento feminino e com o futuro que estamos construindo.”

Dra. Bruna Vieira

“A Polícia Civil tem um papel essencial no acolhimento. Não é apenas investigar — é proteger, ouvir e garantir que essas mulheres não estejam sozinhas.”

Dra. Márcia Pereira

“Eu venho de um ambiente duro, machista, onde precisei resistir todos os dias. Minhas feridas não me pararam — elas me ensinaram a lutar.”

Bete, sindicalista petroleira

“Minha trajetória não foi fácil. Foi construída entre dores e conquistas. E é isso que me sustenta: saber que cada passo abriu caminho para outras mulheres.”

Vereadora Juci Cardoso

Sob a condução firme e sensível de Carla Sandra Vieira, as falas não apenas se organizaram — elas ganharam profundidade, ritmo e escuta.

Não se tratava apenas de trajetórias de sucesso. O que emergiu foram os bastidores: os silêncios impostos, as interrupções, as barreiras invisíveis que ainda estruturam a desigualdade.

E, ainda assim, havia estratégia.

As participantes apontaram caminhos concretos: formação política, autonomia econômica, redes de apoio e permanência nos espaços conquistados.

Em um dos momentos mais marcantes, a evocação da história da patronesse do Instituto Helenas Não Se Calarão rompeu o fluxo racional do encontro e mergulhou o público em um silêncio carregado de emoção. Houve lágrimas. Houve reconhecimento. Houve verdade.

Ao final, não havia respostas prontas — mas havia um compromisso coletivo.

Porque discutir poder é, inevitavelmente, discutir transformação.

E, em Catu, nesta sexta-feira, essa transformação deixou de ser discurso. Tornou-se presença.

Eunice Espinola 

Segue fotos  na página  ÁLBUM 

Comentários

Chat Online