Uma planta amplamente conhecida nas comunidades tradicionais brasileiras pode ganhar um novo capítulo na história da saúde pública. O Phyllanthus niruri, popularmente chamado de quebra-pedra, está sendo estudado para se tornar a base de um fitoterápico industrializado com distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Utilizada há séculos por povos indígenas para tratar problemas urinários, a planta é reconhecida na medicina popular por seu potencial auxílio em casos de cálculos renais, inflamações urinárias e desconfortos do trato urinário. Agora, esse conhecimento ancestral começa a dialogar oficialmente com a ciência institucional.
Parceria institucional
O desenvolvimento do medicamento envolve a Fiocruz, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério do Meio Ambiente. O projeto ainda passará por avaliações técnicas e sanitárias — processo que pode levar até dois anos — antes de eventual incorporação à rede pública.
A iniciativa representa mais do que a criação de um novo produto: trata-se de um reconhecimento formal dos saberes tradicionais como fonte legítima de inovação científica e política pública.
Saberes ancestrais e ciência
Os povos indígenas mantêm uma relação histórica com a biodiversidade brasileira, desenvolvendo sistemas próprios de observação, estudo e uso terapêutico das plantas. A possível incorporação do quebra-pedra ao SUS sinaliza um avanço no diálogo entre conhecimento tradicional e pesquisa científica, respeitando critérios de segurança, eficácia e regulamentação.
Especialistas destacam que a fitoterapia já integra práticas complementares reconhecidas pelo SUS, mas a industrialização baseada explicitamente em saberes indígenas reforça a importância da proteção da biodiversidade e do reconhecimento dos direitos culturais.
⚖️ Valorização e responsabilidade
Além do potencial benefício à população, o projeto reacende debates sobre:
Proteção dos conhecimentos tradicionais
Repartição justa de benefícios
Conservação ambiental
Fortalecimento das políticas públicas de saúde integrativa
Caso aprovado, o fitoterápico à base de quebra-pedra poderá ampliar o acesso a tratamentos naturais com respaldo científico, aproximando ainda mais a saúde pública da diversidade biocultural brasileira.
Jornalista: Eunice Espinola DRT 5569 Ba