Hoje o silêncio dos atabaques dói diferente.

Partiu Mãe Carmen.
E com ela, não se vai apenas uma mulher — segue para o Orum um elo vivo da ancestralidade, uma guardiã do axé, uma raiz profunda da história do Terreiro do Gantois e do povo de santo.
Filha mais nova de Mãe Menininha, Mãe Carmen carregou no corpo e na alma a continuidade de um legado que não se aprende em livros, mas se recebe em silêncio, em obrigação, em cuidado e em amor ao sagrado.
Sua presença era firme, serena e necessária. Sua existência foi resistência.
Quando uma ialorixá se despede da Terra, não é morte: é travessia.
Ela retorna aos ancestrais levando tudo o que preservou — a fé, a dignidade, a tradição, o respeito às forças que sustentam o mundo.
Fica entre nós o ensinamento de que cuidar do axé é cuidar da vida.
Fica a lembrança de que tradição não é passado — é futuro bem guardado.
Fica a saudade, essa que só existe porque houve amor, entrega e missão cumprida.
Que os orixás a recebam em luz.
Que Mãe Menininha a acolha no colo da eternidade.
E que o Gantois siga pulsando, porque quem semeia axé nunca parte por inteiro.
️ Axé, Mãe Carmen. Sua história permanece.